segunda-feira, 1 de maio de 2017

Novos ambientes digitais e paradigmas educacionais emergentes

A democratização do acesso à educação rompendo com os constrangimentos de natureza geográfica, social e temporal, resulta de um processo baseado em redes formais e informais de aprendizagem social e colaborativa, organizado num modelo assente na sociedade digital. O modelo de organização em rede na sociedade digital "contribui de forma decisiva para a diluição das barreiras de natureza geográfica e sociais, e promove, deste modo, o desenvolvimento das novas práticas de interação entre os indivíduos e entre estes e os contextos e aprendizagem e conhecimento"  (Dias, 2013:5) .
A sociedade digital, suportada pelas tecnologias de informação e comunicação (TIC), não pode ser ignorada, pois assume-se como  um modelo dominante. Neste sentido as tecnologias de informação e comunicação disponibilizam com meios pouco exigentes, o acesso a uma experiência de educação e comunicação aberta e global, servindo de suporte aos diferentes modelos de educação. 
A Internet como infraestrutura de suporte das TIC disponibiliza canais diferenciados entre os interlocutores, promove a organização da informação e estabilização do conhecimento. Operar sobre esta infraestrutura, colocando-a ao serviço do conhecimento acrescenta um elevado grau de sustentabilidade atuando na vertente social, económica e ambiental. 
Como refere Monteiro et al (2015) os computadores e a Internet não resolvem por si só o problema das práticas desajustadas e obsoletas, com as quais nos confrontamos frequentemente, muito menos como forma de encobrir fragilidades em modelos pouco estruturados. 
Observando as práticas significativas de aprendizagem identifica-se o trabalho colaborativo como uma dinâmica suscetível de desencadear vinculação e comprometimento entre os intervenientes na resolução dos problemas que operam o conhecimento, contrariando o preconceito de que o ensino à distância, nomeadamente o e-Learning, promove o isolamento e o descomprometimento. Citando Gonçalves (2007:3) "o e-Learning sendo uma modalidade de EAD, proporciona uma aprendizagem personalizada em conformidade com a necessidade, a disponibilidade e o ritmo do individuo" , permitindo aos intervenientes aprender sem limitação de horário ou espaço físico. 
 segundo Goulão (2004:3) "o e-learning é um processo social que deve facilitar a colaboração, a interação entre as pessoas e os conteúdos e que implica alterações ao nível dos diferentes agentes implicados no processo - organização, professores e aprendentes". Estamos perante  novos paradigmas centrados em modelos de globalização e de ecologia educativa.


Bibliografia

Aires, L. (2016). e-Learning, Educação online e educação aberta: contributos para uma reflexão teórica. Revista Iberoamericana de Educacion  à Distancia, 19(1), 253-269, disponível em http://dx.doi.org/10.5944/ried,19.1.14356.

Dias, P. (2013). Inovação Pedagógica para a sustentabilidade da educação aberta e em rede. Educação, Formação & Tecnologias 6(2), 4-14 [online], disponível a partir de http://eft.educom.pt

Gonçalves, V. (2007). e-Learning: reflexão sobre cenários de aplicação. Congresso da SPCE - Educação para o sucesso: políticas e atores. Sociedade Portuguesa de Ciências da Educação. Funchal. 

Goulão, M. F. (2004). Aprender e ensinar à distância. Universidade de Aveiro (org.), Atas da Conferência eLES'04, e-Learning no ensino superior. 

Monteiro, A., Moreira, J.A., & Lencastre, J.A. (2015). Blended (e)learning na Sociedade Digital. Santo Tirso: White Books.